Papo Editorial com Pedro Almeida

Papo Editorial com Pedro Almeida

13-04-21 | Opinião | Faro Editorial |

A re-reinvenção do autor

Ok. O tema parece batido. E você está certo! Mas desde o início da pandemia ocorreram muitas mudanças no cenário editorial, na forma como as pessoas divulgam e promovem seus livros, mesmo numa grande editora. E essa parte, sim, é a novidade.

Em todo o país, especialmente nos grandes centros, as livrarias ficaram fechadas por muito tempo…. e ainda não há como prever quando voltaremos ao normal (normal significa: lojas abertas, comércio aberto, shoppings abertos).

Depois que abrirem, segundo o dataPedro, pelo menos 30% de todas as livrarias estarão quebradas e não retornarão mais. Penso que o mesmo percentual de editoras também quebrará, mas a notícia das editoras não se tornará pública. Quando uma livraria quebra, a notícia se espalha. A loja fecha as portas e o lugar fica vago.  Quando uma editora quebra, ela simplesmente para de publicar. Às vezes, fica num estado de inércia que pode durar anos, e até voltar ao jogo, ou definhar vendendo o estoque remanescente nos anos seguintes.

O fato é que acabaram os espaços para pilhas de livros, vitrines, tabloides, mostruários perto do caixa, livros expostos por temas e afinidades, e esse sempre foi o grande diferencial de comunicação dos lançamentos. Uma livraria .com não tem esse espaço de comunicação com os leitores. Elas vendem livros especialmente para os leitores que os autores já têm.

O horizonte está nublado. Mas não podemos ficar esperando que tudo volte ao normal.

A crise está acontecendo com todo tipo de empresa, mas quem estiver preparado sofrerá menos. O que quero dizer aos autores é que eles terão de encontrar mais formas de se comunicar com os leitores. Comunicar com leitores não é postar foto de comida ou transformar as redes num catálogo de exibicionismo hedonista ou de lacração a qualquer polêmica do mundo. Isso estará mais para um blogueiro do Big Brother ou para quem quer ser convidado para uma edição de programas como “Perdidos em Floripa”.

A comunicação de um escritor ocorre com textos. Podem ser os não verbais? Pode. Mas sem exagerar, a menos que o seu livro seja de linguagem corporal.  E recomendo textos que se comuniquem com o seu público, que façam os leitores desejarem ler mais. “Ah… mas as pessoas não leem nada nas redes sociais.”  Mas se você está lá para contatar seus leitores e só fica postando selfies, qual o propósito? Insultará quem inventou a internet!

Mas como divulgar livros quando a simples exposição nas lojas e os eventos presenciais de lançamentos não acontecem mais?  Lives? Não sei mais quem aguenta tantas lives. Se quiser um inimigo me convide para uma. Ok. Esse texto eu escrevi para me preparar para uma LIVE, para compartilhar algo que estou percebendo. Mas live toda hora não dá. Prefiro comer Jiló. Cada vez que me chamam para uma live desisto de avaliar um livro (tô de brinks). Ok. Cada vez que uma live acontece um anjo perde a asa. Mas apenas uma. Que se descola em pleno voo para o tombo ser filmado e virar meme “Oh no! Oh, no!”

O autor precisa escrever e alcançar o seu público. Opiniões fortes, hoje, estão fora de moda. Todos querem opiniões agradáveis, fofas. Se tem uma opinião forte, poste e deixe visível apenas para você. Por isso aconselho a todos os autores com quem trabalho a não postar nenhum assunto em suas contas profissionais que não sejam sobre seus livros. Eles ouvem?  Acho que não.  Apenas me bloqueiam para que eu não fique irritado. Pra mim, traição que eu não vejo, não me interessa. Não deixem que eu saiba, porque se eu descubro, rogo uma praga.

Marketing digital ainda é uma incógnita. O que se vende de livro não paga os impulsionamentos, mas é preciso fazer. Na verdade, até que seu nome esteja estampado na calçada da fama você precisará investir na comunicação tanto ou mais tempo do que investiu na escrita. Super tímidos não passarão, a não ser que a timidez seja tão extrema que se torne o diferencial.

Assim, se exponha. Dedique-se a comunicação digital. Hoje ela é a forma de seu livro ser descoberto. Comunicação digital é a nova imprensa, a nova forma de lembrar continuamente que seu livro existe. Afinal, um livro, fruto de tantos meses de dedicação, alguns, que são um resumo de todo o trabalho de uma vida inteira, não pode ficar esquecido um mês depois do lançamento.

Ah. Falando nisso… vou fazer uma live com o Sandro Bier, do canal, Café com Escritor no dia 23, sexta. Ele me convenceu de que tínhamos de celebrar o Dia Mundial do Livro e dos direitos do autor. Eu relutei, relutei…. mentira. Topei na hora. Quem não tiver programa melhor numa sexta-feira, dê uma espiada. Pode beber enquanto assiste.  Será aberto para perguntas.  O canal é: https://www.youtube.com/c/CafedoEscritor

Até a próxima coluna!!!!

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