A História Concisa da Literatura Alemã

“Em sua excelente história da literatura alemã (a melhor já produzida no Brasil) Otto Maria Carpeaux considera ‘Tonio Kroeger’ um texto-chave para a compreensão das grandes narrativas de Thomas Mann. Sem dúvida é uma pequena obra-prima e no seu traçado sutil e preciso, onde se generaliza toda uma experiência estética, cultural e afetiva, toma corpo uma realidade essencial, alusiva e cambiante como as asas de uma borboleta.”

“A importância desse livro tem sido confirmada pelo interesse público e pela constância com que são usados em sala de aula ou mencionados nos mestrados e doutorados das nossas universidades. Sua qualidade, no entanto, ainda não parece ter sido alvo de uma avaliação fina, à altura do seu padrão de exigência — capaz de mostrar, por exemplo, o ‘rigor clássico’ do talento de narrador de Otto Maria.” (…)

“Sendo assim, talvez não seja fora de propósito imaginar que um estudo sobre este ensaísta pode esclarecer melhor não apenas os seus pressupostos, mas também o seu método, o seu alcance e o estilo. Tarefa que certamente facilitaria a caracterização de suas obras e abriria caminho para uma consagração aprofundada deste intelectual de cultura alemã que hoje pertence à nossa com a mais ampla legitimidade.”

Extraído de artigo de Modesto Carone, publicado na Folha de S.Paulo.

De Goethe, Rilke, Schopenhauer, Kant, Thomas Mann, Kafka, Irmãos Grimm, Herman Hesse, Schiller, Brecht, Nietzshe e tantos outros. A história da literatura do mundo pelos grandes escritores alemães.

“Só com hesitação aceitei a incumbência de escrever esta pequena história da literatura alemã. Pois o tamanho reduzido não permite dar um panorama historicamente completo nem a exposição de pontos de vista novos. No entanto… é tão difícil encontrar uma utilizável e atualizada história da literatura alemã! (…) Em Alemão, muitas obras sobre o assunto são desfiguradas por atitudes de sectarismo ideológico: há os autores decididamente protestantes que, com ares de superioridade, resolvem ignorar os autores católicos; há os católicos decididos, rejeitando o espírito profundamente filosófico da literatura alemã e querendo no entanto escrever a história dela; há os nacionalistas fanáticos, insultando a metade dos escritores e das suas obras; há, os liberais, detestando a outra metade. Desses defeitos só está livre a maior parte dos estudos monográficos. Mas os livros de síntese destinam-se, as mais das vezes, a fins didáticos(…). A conseqüência são preconceitos enraizados e tremendos erros de valorizacão que, como dogmas, são transmitidos de livro para livro, de gerarão para geração. A ciência literária alemã e a crítica alemã moderna já retificaram esses erros. Mas só em poucos casos (Hölderlin, Georg Buechner) essas retificações e reabilitações chegaram ao conhecimento dos leitores latino-americanos.

“O presente livro reflete o estado da ciência e crítica literárias na Alemanha. Nos últimos anos, o estudo da literatura e “ciências do espírito” alemãs penetrou fundo na América Latina, especialmente no Brasil. Oferecer ao estudioso brasileiro um panorama imparcial e uma visão atualizada da literatura de Goethe, Hölderlin e Rilke, de Kleist e Georg Buechner, de Stifter, Thomas Mann e Kafka, poderá chegar a ser um modesto serviço prestado à cultura brasileira. É o que tentei fazer, dentro das minhas limitações.

Otto Maria Carpeaux

Inclui capítulo, À sombra do Muro, do Prof. Willi Bolle. cobrindo os anos de 1963 a 1994.