Dúvidas sobre o Tesouro Direto? Marcos Silvestre explica e não complica. 25 de julho de 2017 – Tags:

( trecho de entrevista concedida à jornalista Isabela Barros)
  • Por que a ideia de escrever um livro sobre como investir no Tesouro Direto? Vc mesmo investe? Desde quando?

     

    Sou investidor do TD há mais de 10 anos, e desde que o fiz pela primeira vez, venho incentivando e ensinando meus clientes a fazerem o mesmo.

     

    O livro (já o título mais vendido de investimentos pessoais no país) tem dois grandes objetivos:

     

    1) mostrar à pessoa leiga, porém interessada, que o Tesouro Direto é prático, acessível, muito seguro e bastante mais rentável que outras aplicações conservadoras, e

     

    2) “pegar o leitor pela mão”, como faço com meus orientandos particulares, e levá-lo passo a passo, tela a tela, à experiência de partir do zero e chegar ao ponto de ser um investidor ativo e dinâmico via TD. Foi especialmente escrito para quem não entende nada… mas não quer ficar fora dessa! A linguagem é didática, incluímos ferramentas úteis e o livro é muito bem ilustrado com prints de todas as telas pelas quais o leitor/investidor precisa navegar.

     

    3) Essa modalidade de investimento tem tudo para ser a nova poupança, como vc destaca em seu livro?

     

    Sim. A poupança é muito conhecida, prática e acessível. São qualidades inegáveis que todo investidor, especialmente o de pequeno porte, deve perseguir. Mas há um problema: sua rentabilidade é instável ao longo dos anos e, nos melhores anos, acaba sendo pequena se comparada à rentabilidade oferecida pelo canal do Tesouro Direto (menos da metade, no melhor cenário). Então o canal TD, embora ainda pouco conhecido do grande público investidor, se apresenta como alternativa igualmente prática (para quem aprende a usá-lo, o que é bem descomplicado) e acessível (comporta investimentos a partir de R$ 30,00), porém muito mais rentável (de duas a três vezes o que paga a poupança, em termos líquidos e reais, que é o parâmetro de rentabilidade que de fato interessa para multiplicar o capital investido).

     

    4) Vamos fazer um comparativo entre investir na poupança, ainda a mais tradicional modalidade de investimentos do Brasil, e no Tesouro? Por que não vale  mais a pena recorrer à poupança?

     

    Digamos que você receba R$ 10 mil de sua conta inativa do FGTS agora, e queira aplicá-los para sua aposentadoria. Na Poupança, após 15 anos você terá R$ 11 mil corrigidos monetariamente para valores da época (o número será mais alto, mas temos de contar que haverá inflação acumulada no período, corroendo uma parte da rentabilidade nominal conseguida, deixando apenas a rentabilidade real acumulada, no caso, de 10%). Já aplicando via TD, este valor seria próximo de R$ 16 mil, também corrigidos monetariamente para valores da época, com um ganho líquido real (e portanto verdadeiro!) de 60%, ou 6X a rentabilidade da caderneta! Isto, com a mesma praticidade, acessibilidade e segurança. Por que não trocar? Por puro desconhecimento ou medo irracional? A leitura de Tesouro Direto | A Nova Poupança elimina estes dois fatores e empodera qualquer leigo interessado para tratar seu dinheiro de investimento com maior dignidade financeira. Tão difícil juntar dinheiro, não? Quanto se tem dinheiro acumulado… ele merece respeito! E para ganhar mais não é necessário (nem recomendado) correr riscos indesejáveis!

     

    Como escolher quais títulos do Tesouro comprar? Alguma dica? Os mais ligados ao aumento da inflação? Os pré ou pós-fixados? O que podemos dizer aos leitores nesse sentido?

     

    Eis aqui um painel sintético que faz a comparação direta entre os diferentes títulos públicos negociados no canal Tesouro Direto, com o objetivo de ajudar o aplicador multiplicador a definir sua escolha entre os três principais grupos de “papéis” (títulos públicos) disponíveis para aplicação:

    TESOURO PREFIXADO (títulos prefixados)

    Títulos que oferecem rentabilidade prefixada. Ou seja, no momento de sua compra o investidor já fica sabendo exatamente a taxa de rentabilidade bruta (em geral informada em porcentagem acumulada ao ano) que irá ganhar, se decidir segurar esse título até seu vencimento, respeitando seu prazo de maturação natural. Boa alternativa para quem acredita, como acredita hoje a maioria dos analistas econômico-financeiros, que os juros nominais de nossa economia continuarão baixando nos próximos meses.
    TESOURO SELIC (títulos indexados à Taxa Selic)

    Papéis que dão rentabilidade pós-fixada, ou seja, no momento da compra do título fica determinado (fixado) ao investidor que ele receberá no vencimento do título, em termos de rentabilidade bruta, o que der a taxa Selic acumulada no período entre a compra e a data de vencimento (durante o prazo de maturação). Não se sabe ainda, na hora do investimento, o quanto precisamente isso será… mas se sabe que o referencial (o indexador) será a Selic. Boa opção para quem crê que há um limite para os juros básicos (taxa Selic) baixarem, e que olha a prazo um pouco mais longo e até os vê subindo.
    TESOURO IPCA+ (títulos indexados ao IPCA, com uma parte adicional fixa)

    Estes títulos têm uma natureza híbrida na sua métrica de rentabilização, que se dá com a soma de dois lados: 1) parte da rentabilidade é totalmente prefixada, pois o investidor fica conhecendo já no ato da compra a rentabilidade bruta (informada em porcentagem ao ano) que irá ganhar se segurar título até seu vencimento; 2) outra parte é pós-fixada, pois o título pagará o quer der a inflação do IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IBGE) ‒ acumulada entre a data da compra e a data do vencimento do título (durante seu prazo natural de maturação após a compra). Excelente opção para proteger seu dinheiro de aplicação da ameaça do desgaste do poder de compra da moeda Real, e ainda ganhar uma rentabilidade líquida real invejável para padrões internacionais!

     

    Em linhas gerais, resumindo um pouco tudo, por que é interessante investir no Tesouro Direto? 

     

    Porque lhe paga pelo menos o dobro, com a mesma segurança, praticidade e acessibilidade da poupança.

     

    Se você hoje encontrasse um emprego no qual faria exatamente o que faz hoje (exatamente!), com mesmo grau de dificuldade, responsabilidade e carga horária, mas que lhe pagasse pelo menos o dobro de imediato (com chances de lhe pagar, como vimos acima, até seis vezes mais no longo prazo), não trocaria por seu atual emprego 😉 ? Por isso afirmamos: Tesouro Direto | A Nova Poupança!